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Como se identifica um cliente que está prestes a deixar a insígnia?

    Em síntese

    • A previsão de abandono identifica os clientes ativos cujo comportamento revela os padrões que costumam preceder o afastamento.
    • A Retano CRM & Loyalty constrói o modelo com os dados de talão que o programa de fidelização já recolhe. Não são necessárias novas fontes de dados.
    • São necessários cerca de oito meses de histórico de compra utilizável antes de poder correr um primeiro modelo.
    • A cada cliente são atribuídos uma probabilidade de abandono e um customer lifetime value. O seu cruzamento indica onde compensa gastar o orçamento de retenção.
    • Para cada segmento de valor configura-se um programa de win-back dedicado, e os segmentos são exportados diretamente para as campanhas.
    • A decisão continua a ser do retalhista: a plataforma produz segmentos e recomendações, as campanhas arrancam segundo as regras definidas pelo marketing.

    Porque é que um programa de fidelização não sinaliza o abandono de clientes?

    Porque os pontos, os patamares de prémio e os preços reservados a titulares de cartão respondem a uma só pergunta — como premiar quem compra — e não à outra: quem começou a comprar menos, e desde quando. O reporting de um programa de fidelização é normalmente retrospetivo e agregado, o que é diferente de saber que esta pessoa concreta, com determinada probabilidade, deixará de comprar nos próximos meses.

    Recuperar um cliente habitual mais tarde custa mais do que teria custado retê-lo. É o espaço em que trabalham os modelos preditivos da Retano CRM & Loyalty: as mesmas mecânicas, dirigidas a partir do que os dados de compra dizem sobre cada pessoa.

    Que dados são necessários para prever o abandono?

    Os dados de talão associados a um cartão de fidelização: que referências, em que quantidades, em que loja, a que hora, com que desconto. São dados que a insígnia já regista todos os dias. A partir deste histórico, a Retano CRM & Loyalty calcula para cada cliente um conjunto de indicadores:

    • Dias desde a última compra
    • Número de semanas com compras, total de compras e gasto total
    • Frequência média de visita em janelas móveis de 3, 5 e 13 semanas
    • Talão médio nas mesmas janelas
    • Número médio de referências por talão
    • Desconto médio por talão

    A diferença face a um histórico simples está nas janelas móveis: comparar as últimas três semanas com as últimas treze significa ler uma tendência e não uma fotografia. As janelas são configuráveis e ajustam-se à frequência de compra típica do formato.

    Como se segmenta a base de clientes?

    A Retano CRM & Loyalty agrupa os clientes em clusters de comportamento homogéneo, com várias lógicas utilizáveis em paralelo: RFM clássica, RFM construída sobre os desvios das médias, uma variante baseada em machine learning, matriz BCG aplicada à base de clientes e agrupamentos por padrão de consumo. Os segmentos obtidos são exportados diretamente para a plataforma como grupos-alvo de campanha.

    Emergem as famílias previsíveis — o comprador frequente a preço cheio, o cliente estável com talão regular, quem passa raramente, o novo aderente, o comprador pontual — e uma que merece atenção à parte: quem compra quase exclusivamente em promoção. Enquanto esse cluster se mantém misturado com o resto da base, a eficácia das promoções não é legível, porque a mesma mecânica produz efeitos opostos nos dois grupos. Separados, indicam dois instrumentos diferentes.

    Como funciona o modelo de previsão de abandono?

    É um problema de aprendizagem supervisionada. Utilizam-se mais de quatro meses de dados passados para gerar os preditores e os quatro meses seguintes para estabelecer quem deixou efetivamente de comprar, sendo essa a resposta com que o modelo é treinado: na prática são necessários cerca de oito meses de histórico utilizável antes de poder correr um primeiro modelo. Como no retalho alimentar não há contrato a cancelar, um cliente é considerado perdido quando não regista compras no período de observação seguinte.

    Os marcadores são aqueles que nenhum olhar humano consegue seguir em milhões de talões: visitas que se espaçam, talão médio e gasto total em queda, menos referências por talão, perfil de desconto que muda. O resultado é o cliente que está a abrandar enquanto o risco ainda se forma, ou seja, quando intervir ainda faz sentido. O limiar de probabilidade é configurável: é a insígnia que decide o grau de prudência, deslocando a fronteira entre intervir e deixar correr em função do orçamento de retenção disponível.

    Sobre que clientes em risco compensa intervir?

    Aqueles em que uma probabilidade elevada coincide com um valor elevado. A Retano CRM & Loyalty atribui a cada cliente uma probabilidade de abandono e um customer lifetime value, e distribui a base em segmentos de valor. Cruzados, os dois indicadores formam uma matriz: a probabilidade diz quem se vai embora, o valor diz quanto compensa gastar para o evitar. Um cliente de alto valor com risco elevado justifica um contacto imediato e uma oferta à medida; quem comprou uma só vez e não voltou merece uma tentativa de baixo custo, um cupão padrão ou uma notificação. Para cada segmento de valor configura-se um programa de win-back dedicado.

    Julián Ruiz, Country Manager, Retano Solutions:

    Os clientes fidelizados são a garantia de uma faturação estável. Uma insígnia pode investir muito para atrair clientes novos e, entretanto, perder em silêncio os habituais — e recuperá-los depois custa muito mais. Para nós a fidelização não acaba nas mecânicas: começa aí, e nos dados que essas mecânicas trazem consigo.

    Sobre que clientes trabalha o modelo não é um dado adquirido: é uma escolha. Os modelos são calculados sobre um segmento, e os segmentos constroem-se a partir dos atributos do cliente: a insígnia pode assim restringir a população analisada àquela que pretende incluir, por exemplo apenas aos clientes que deram o consentimento correspondente.

    O que enviar a um cliente que está a abrandar?

    Uma oferta construída sobre o que mudou no seu comportamento. O que não funciona é a versão indiferenciada: o mesmo desconto enviado a toda a base, incluindo os clientes que iriam comprar de qualquer forma. As mecânicas clássicas funcionam melhor quando a escolha segue o perfil:

    • Desapareceu uma categoria: o benefício concentra-se aí.
    • Baixou a frequência: um cupão que se ganha hoje e se gasta na visita seguinte.
    • Há pontos a expirar: muitas vezes basta o lembrete.
    • Aniversário, categoria preferida, referral: mecânicas que o cliente já conhece.

    Acima destas alavancas coloca-se outra: a oferta personalizada de produto, construída a partir dos cestos de clientes comparáveis. É a que dá um motivo para voltar ao cliente que um desconto genérico já não move, porque a oferta recai sobre um produto que ele nunca comprou mas que quem se lhe assemelha compra com regularidade. Sobre como o modelo escolhe esses produtos, continue a ler aqui.

    Há outro fio que corre a par deste trabalho. A análise de associações identifica os produtos driver: referências que vendem poucas unidades mas arrastam o resto do cesto. Para quem trabalha sobre o abandono são úteis duas vezes — como pretexto para uma campanha de reativação, porque os seus compradores se extraem como segmento e recebem um cupão sobre esse mesmo artigo, e como candidatos naturais para uma oferta pessoal. É um tema à parte, e terá uma ficha dedicada.

    O sistema decide sozinho?

    Não. Julián Ruiz, Country Manager, Retano Solutions: “Perguntam-nos muitas vezes se o sistema decide tudo. Não. O que retira é outro peso: o esforço de analisar milhões de talões, o trabalho manual de construir os segmentos, o cruzamento de relatórios distintos para reconstruir um único quadro. A campanha pode arrancar em automático, mas segundo as regras definidas pelo marketing.

    O que muda, concretamente

    O perfil, a previsão de abandono e o mapa de associações incidem no trabalho diário muito mais do que incidem no programa de fidelização em si. As mecânicas continuam a ser as que os clientes já conhecem. O que muda é o destinatário: a insígnia sabe a quem se dirige, há quanto tempo essa pessoa está a abrandar, quanto vale retê-la, o que lhe propor e que referência pode arrastar outra para o cesto. Os dados necessários já existem, estão nos talões registados todos os dias. A diferença competitiva está em sabê-los ler e transformar em ação.


    Quer perceber como aplicar estes modelos à sua base de clientes?

    Perguntas relacionadas

    O que é a previsão de abandono no retalho?

    Um modelo de machine learning que analisa o comportamento de compra dos clientes ativos e identifica os que apresentam os marcadores de uma quebra de atividade — visitas menos frequentes, talão em queda, menos referências por talão — antes de deixarem de comprar.

    Quanto histórico de compra é necessário?

    Cerca de oito meses de histórico utilizável: mais de quatro meses para gerar os preditores, mais os quatro meses seguintes para estabelecer quem deixou efetivamente de comprar e treinar o modelo com essa resposta.

    Quando é que um cliente é considerado perdido?

    No retalho alimentar não há contrato a cancelar, pelo que o abandono se define de forma operacional: um cliente é considerado perdido quando não regista compras no período de observação seguinte. É com essa resposta que o modelo é treinado, procurando depois os mesmos padrões entre os clientes ativos.

    Como se decide sobre que clientes em risco intervir?

    Cruzando a probabilidade de abandono com o customer lifetime value. A probabilidade diz quem se vai embora, o valor diz quanto compensa gastar: a intervenção à medida reserva-se aos clientes de alto valor, enquanto para quem comprou uma só vez basta uma tentativa de baixo custo.

    As campanhas arrancam em automático?

    Podem arrancar em automático, mas segundo as regras definidas pelo marketing. A Retano CRM & Loyalty produz segmentos e recomendações; como utilizá-los é uma decisão do retalhista. A eficácia das mecânicas e a qualidade do modelo são monitorizadas ao longo do tempo, e os parâmetros podem ser corrigidos quando a base de clientes muda.
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